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Supermãe não! (nem Superpai!)

Estes dias minha filha me fez uma pergunta para a qual não sabia a resposta… E isso me fez pensar no tema deste post. Conforme nossos filhos vão crescendo se acostumam a ter os pais como referência para tudo (pelo menos nos primeiros anos), afinal são eles que estão lá para responder todas as suas perguntas e explicar como todas as coisas funcionam. São eles também que os acodem quando se machucam, consolam quando estão tristes ou decepcionados com algo, motivam quando estão inseguros… E nós, mães e pais, queremos desempenhar este papel com o maior nível de excelência possível. Queremos ter todas as respostas, saber as palavras certas nos momentos em que são necessárias, estar sempre calmos, confiantes, felizes e seguros na frente deles…

Então, voltando à pergunta, e à falta da resposta… Tá, perdi o rebolado… E agora, a mamãe que sabe tudo não sabe responder essa!! Respirei fundo e fui sincera: falei que não sabia, mas ia me informar e contar pra ela assim que soubesse. Ela fez uma cara de quem estava vendo um alienígena verde de bolinhas roxas no lugar da mãe, e perguntou: “Como assim você não sabe?”. Huummm… Pausa para discussão filosófica. “A mamãe não sabe sobre isso, filha. Existem várias coisas que nós mamães e papais não sabemos também, como as crianças, mas a gente sempre pode aprender. A gente aprende a vida inteira, sempre existem coisas novas!”. Então ela me olhou com um olhar de “revelação”, e esse olhar que me deixou refletindo por um bom tempo… Ali ela descobriu que a mamãe não sabia tudo afinal, mas que ela estava sempre aprendendo… Assim como ela. Então um dia ela seria muito esperta também, sem precisar saber TODAS as coisas do mundo! E aquela decepção inicial no seu rostinho virou contentamento.

Comecei então a pensar em todo meu esforço para saber tudo o tempo inteiro de forma a não “decepcionar” meus filhos. E percebi: eu não tenho que ser supermãe. Pelo contrário. Eu tenho que ser a mãe que sabe, mas aprende. A mãe que fica feliz mas também fica triste… Também fica brava, mas aprende a se acalmar. Porque num primeiro momento nós somos aquilo que eles querem ser no futuro, e tentar ser um super herói não deve ser tarefa fácil mesmo. Saber tudo, nunca ficar triste ou bravo, ter todas as respostas… Parece algo bem difícil e inatingível, e é uma baita pressão ter que ser tudo isso sem saber como! Percebi que ser falível era uma lição muito importante que eu precisava ensinar para ela. Ensinar que todos temos virtudes e defeitos, e passamos a vida aprendendo e melhorando. Ninguém tem que ser perfeito.

Então, mamães e papais que me leem: não sejam “super”, sejam humanos! Mostrem seus sentimentos aos seus filhos, digam que não sabem também… Mostrem que chorar tem seu valor; que a raiva todo mundo sente, mas a gente pode superá-la de várias formas; que ninguém sabe tudo, mas basta o desejo de aprender, pois a informação é disponível. Mostrem que virar adulto não significa “atingir” uma perfeição, mas sim continuar a busca que começamos desde que nascemos. A única diferença é o tempo, que os adultos tiveram mais e por isso já aprenderam uma coisa ou outra…

Me lembrei de quando eu era criança e imaginava que “virar adulto” era um momento claro e definitivo. Neste momento eu seria capaz de entender tudo e de reagir às coisas de forma “madura” (que era uma palavra que os adultos sempre gostaram muito de usar!), mas sinceramente… Ainda estou esperando a “mágica” acontecer! Hehehe Descobri que maturidade é algo que a gente vai ganhando aos poucos, e continuamente para o resto da vida. Que “saber tudo” não existe e durante nosso caminho de adultos se nós não estamos aprendendo, estamos regredindo. Que a vida é uma busca sem fim, uma transformação constante, e é essa a beleza dela mesmo!

E agora eu sei: é exatamente esta mensagem que quero passar aos meus filhos.

  • Julia Gomes

    Fantástico Renata. Acredito que esse ensinamento, de que não sabemos tudo, estamos aprendendo a cada dia pode ser um inicio de uma nova relação mãe e filha.