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Relato de Pós – Parto: Taty Holtz

Quando deixamos o Santa Lu naquela manhã de céu azul mas gelado de
09/08/16 nós não éramos apenas dois e sim éramos Eu, André e nossa
Pitoca, éramos três. E assim começaria a nossa tão esperada jornada.

Chegando em casa fizemos uma espécie de casulo. Ficamos imersos
naquela atmosfera uterina ainda por alguns dias. Deixamos o quarto a
meia luz e Helena conosco em nossa cama. Banho, só depois de 4 dias e
foi no chuveiro com o papai. Visitas nem pensar! O momento era
exclusivo nosso, só nosso!
As dificuldades não demoraram para surgirem. Já nessa mesma noite a
consultora de amamentação foi até nós, para nos ajudar a aprendermos a
amamentar, tanto eu e Helena tínhamos que aprender, uma a dar a outra
a receber. E não foi nada fácil. Tive mastite, muitos calafrios,
febre, dores terríveis no corpo, os bicos inflamaram, tive fenômeno de
Renot e até então não tinha tido nenhuma intervenção. Entretanto em
meio a muita dor, choro e desespero (na verdade doía a minha alma, era
uma dor doida de verdade), quando Helena fez um mês decidimos em
complementar pela mamadeira e não mais pela sonda
(relactação que já estávamos fazendo, pois ela não ganhava peso).
Claro não foi uma decisão fácil, mas com o apoio do meu marido
percebemos que era a melhor decisão a se tomar naquele momento. Ainda
mais que víamos nossa Pitoca a cada dia perder mais e mais peso.

Estávamos tão preocupados e mergulhados na questão do peso da Helena
que o dia 08/09 chegou e não conseguimos nem comemorar o um mês de seu
nascimento, tamanha era a exaustão e preocupação.
Com tudo isso, claro que minha produção de leite diminuiu e eu não
conseguia aceitar esse fato e a realidade que ela poderia desmamar.
Mas resolvemos tomar um medicamento que ajudaria a aumentar minha
produção, e com isso passei a aceitar que estava em amamentação mista.
Leite materno e Leite artificial. Fora o medicamento usei protetor de
bico, concha e ordenhei na máquina de tirar leite elétrica e tudo isso
foi de uma ajuda incrível e decisiva para que eu não perdesse o
aleitamento materno.
Com a aceitação de que estava em amamentação mista o segundo mês foi
mais calmo e descobrimos outras formas de Helena se entreter que não
era apenas o prazer de sucção que o peito ou a mamadeira traziam a
ela. Descobrimos o Acalanto, vivência musical que estamos fazendo no
Bem Gerar e assim Helena está mais calma e muito mais esperta. Pois
curte muito as aulas, as músicas, os instrumentos e o ambiente.
E assim quando chegou 08/10 conseguimos comemorar o segundo mês de seu
nascimento e comemoramos com toda a família e até com um bolinho. Um
bolo de borboletas simbolizando o nosso nascimento, a nossa
transformação.
Ah.. e qual o resultado depois de quase 3 meses de amamentação mista?
Estamos conseguindo diminuir os ml de leite artificial e aumentando o
leite materno! Se correr desse jeito até o final do terceiro mês
estaremos exclusivo leite materno.
É uma vitória! É uma vitória!

A cada dia estamos passando melhor, Helena já mostra sua
personalidade, sua esperteza e inteligência. Eu já consigo claramente
perceber suas reclamações e seus incômodos e isso me deixa muito mais
segura e confiante.

Agora e como ficou a mãe nessa história toda?!
Ah… eu fiquei literalmente magra e acabada. Chorava dia e noite,
pois demorei para aceitar toda a situação que vivi e ainda estava
vivendo.
Mas por fim consegui aceitar que a maternidade não é cor de rosa, que
ela no começo é bem dura e difícil, pois na verdade, ela te faz
renascer, e renascer dói! Então a partir do momento que transformei
todo o medo que sentia em amor, a maternidade se tornou mais leve, ela
veio cheia de encantos e descobertas com a minha Pitoca.
Fui entender que iam ter dias bons, dias ruins, dias mais ou menos,
dias péssimos e dias ótimos. E que tudo bem também.
Depois da minha total aceitação e entrega é que conseguimos, eu e
Helena nos conhecer melhor, nos aceitar e nos apaixonarmos. Pois eu
demorei um pouco para aceitar Helena como filha.
Sem o apoio do André, sinto que não teria forças para passar por tudo
que passei, pois sem dúvida ele foi e é minha base, meu alicerce, meu
total porto seguro. Ele é um paizão e maridão!
Sem o apoio e ajuda incondicional dos meus pais, minha mãe responsável
por manter a nossa casa, a nossa comida e nossa roupa eu teria pirado
ainda mais. Meu eterno agradecimento a eles.
Com tudo isso me sinto mais preparada, forte, empoderada, confiante,
leve e feliz para encarrar o que mais a maternidade real colocar a
minha frente, pois sei que está apenas começando.

Agora o que dizer as gestantes e futuras mamães?
Busquem sempre ajuda, seja de familiares, amigas e mais ainda do
marido. Saibam que realmente as coisas vão melhorando com o passar dos
dias, que não é algo fácil, vai doer muito (e não é a dor física que
falo aqui) e que todas as mamães passam por isso.
Busquem ajuda inclusive de outras mães, para que vocês saibam que o
comportamento do seu filho ou filha não é nada diferente do da sua
amiga. Procurem a mesma tribo, se juntem, conversem, chorem, troquem
experiência, medo e amor.
E principalmente escutem seu coração, sua intuição para assim vocês se
conectarem de verdade com seu bebê. Deixem a culpa em último lugar,
transforme o medo em amor e assim sua conexão com seu bebê virá, o
vínculo se criará e a maternidade será vivida com essa leveza que
tanto falei. Boa sorte a todas nós!

FOTO – Francine Pires

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