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Relato de Parto: Taty Holtz

“Para que o parto aconteça é necessário que o corpo físico da mãe se
abra para deixar passar o corpo do bebê, permitindo assim seu
rompimento e a verdadeira passagem da alma”. – Laura Gutman – A
Maternidade e o Encontro com a própria sombra.

Eu pari naturalmente!!! Primeiro eu pari  na minha cabeça!!!

E isso fez toda a diferença de como encarar o parto em si! Eu sabia
que eu tinha que ir lá e parir, mas não sabia como. Só sabia e sentia
que conseguiria pois meu mantra na gestação foi: “Confie em você,
confie no seu corpo, confie na bebê”. Inclusive esse mantra eu
apliquei nas duas aulas de hatta yoga que fiz com a Fabi. Com certeza
deve ter ajudado na hora do TP! Gratidão Fabi!!!

Os pródromos começaram na quarta-feira e duraram praticamente uma
semana. E claro eles só aumentam nossa expectativa, porque você acha
que está para entrar efetivamente em TP. Mas eu conversava bastante
com minha pitoca e pedia para ela vir no tempo dela e que mamãe, mesmo
um pouco ansiosa, esperaria.

Era um domingo, 39 semanas completas. Na madrugada de domingo para
segunda-feira, depois de um final de semana agitado a bolsa estoura as
03:00h com um pouco de líquido e as contrações já começam fortes. Vou
para o banho conforme orientação da equipe e André monitorando. Não
aguento ficar no chuveiro… a água quente me incomodava. Com as
contrações cada vez mais doloridas e ritmadas, doutor acreditou que
seria melhor irmos para o hospital. E toda a equipe foi avisada,
doula, ele, nós e a fotógrafa.

Antes de irmos, André e eu nos abraçamos pois confesso nessa hora deu
um medo. Tinha chegado o nosso momento: Eu ia parir!!!!
André como sempre deu aquela força e fomos a caminho do hospital: onde
eu entrei barriguda e sai com a pitoca nos braços.

Eu sabia que eu sabia parir, pois durante toda a gestação acreditava
que o parto é fisiológico, faz parte da mulher essa etapa, então tinha
a certeza que era só deixar fluir. E foi assim, para cada contração
uma respirada. Carla, sempre me lembrando: “respira para baixo”, “não
deixa a tensão em cima”. E assim, fui relaxando e relaxando.

Cheguei praticamente no Santa Lu com quase 07 de dilatação e com isso
em menos de 03 horas Helena nasceu.
Eu uivei, gritei, escutei tambores, visualizei índias (porque na noite
anterior minha mãe disse que eu ia parir como índia)…

Já nas contrações sentia a cabeça da Helena descendo e era o máximo!
Para cada sensação nova que eu sentia, perguntava “Carla tô sentindo
isso é normal”?!
Estranharam ela ter nascido no chão comigo deitada, mas e daí?! Era
para ser de 04 apoios é que ela saía e voltava muito rápido. Então,
por orientação do Danylo, mudei de posição e a que pari foi a que
encontrei confortável para aquele momento. Com Carla novamente
segurando minha perna!

A minha pitoca nasceu!! Com algumas músicas que colocamos e eu até
arrisquei a cantarolar…. Carla me falou que eu realmente cantei…
mas não lembramos a música, tamanha era a emoção daquele momento.

A pitoca veio do jeitinho dela para esse mundo e com toda a coragem de
sua mãe e com a convicção de que daria certo e ela viria naturalmente.
Helena foi recebida com música e veio direto para mim e seu pai. André
cortou o cordão e ficamos ali deitados curtindo e aproveitando aquele
momento de oxcitocina e de pura adrenalina.
Eu estava curtindo minha pequena, mas confesso que eu não parava de
pensar no parto e em como eu tinha conseguido dar a luz a minha
pitoca.
A minha adrenalina estava altíssima e ficou assim durante todo o dia e
a noite, eu revivendo cada momento daquele parto maravilhoso.

Carla foi fundamental, ela literalmente me segurou (que depois ficou
dolorida) e me passou muita segurança, afeto, amor, carinho, apoio,
massagem, toque e tudo o que uma doula passa de bom que foge até as
palavras certas….

André, meu marido, sempre presente, me apoiando e principalmente me
incentivando e me dando coragem e confiança para eu acreditar em mim e
nas minhas crenças. E fora o amor de pai né?!

Danylo totalmente gentil e compreensível. Soube capturar os detalhes e
me deixou muito a vontade. Tinha obstetra no meu parto, Carla?!

Fran a vi pouco, pois ela com toda a sua sensibilidade soube ser
invisível e capturou o que a alma estava transbordando. Mas quando o
TP passou e estávamos aguardando a placenta sair demos muitas e boas
risadas, pois tiramos fotos da maternidade real! rsrsrs

Ana Paula e Rodrigo que avaliaram nossa Helena e nos tranquilizaram
quanto ao seu tamanho pitoco e de toda a saúde dela naquele momento.

Eu amei parir!!!! Mas eu deixei-me entregar!!! Eu fluí com ela.
Fizemos o trabalho juntas, na mesma sintonia, no mesmo compasso, no
mesmo mar com as ondas das contrações indo e voltando, em cada
respirada!

“O início do vínculo mãe-bebê está muito condicionado a experiência do
parto” – Laura Gutman.

O que tenho para falar para as futuras mamães e gestantes? Ah, leiam o
livro “Maternidade e o encontro com a própria sombra da Laura Gutman”.
Me ajudou muito na questão de parir na cabeça e tentem não levar para
o parto seus problemas, seus medos. Resolva-os antes.
Eu consegui resolver sempre com um ritual, acendia uma vela, escrevia
ou falava o que estava sentindo e depois visualizava que já estava
tudo bem. E nunca vão ao parto com expectativa alta, vão com a cabeça
simplesmente de parir, o resto, o universo, Deus, conspira totalmente
a seu favor.

Troquem o sentimento do medo pelo sentimento do amor, isso quem me
ensinou foi a Kareemi. Gratidão Ka!

Amei, amei e amei!! Parir é tudo de bom!!! Quero mais, quero mais!!!

“Atravessar um parto é se preparar para a erupção do seu vulcão
interno e é uma experiência avassaladora”.

Agora o tal do puérpero… ah…. isso é papo para um próximo relato…13934749_1052285981546273_5004709977853286905_n  14063998_1052286228212915_1943608055441366431_n Parto Taty13939541_1052286734879531_5274395651091757416_n

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