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Relato de parto pelo pai Alberto

Antes de falar do parto em si, gostaria de dar todo um contexto, pois foram 41 semanas de gestação e como iríamos ser pais de primeira viagem muitas perguntas e dúvidas pairavam na nossa cabeça, a mais importante delas, como seria o parto? Cesária ou Normal? As primeiras 25 semanas da gestação foram um caos, nosso primeiro obstetra se recusava a falar sobre o parto, em cada consulta quando questionado ele respondia que isso era assunto para "mais para frente". Saiamos frustados a cada consulta, foi quando combinamos que iríamos pesquisar por conta na internet sobre o parto. Nossa primeira conversa foi muito ruim, porque a internet é muito polarizada. Mas através dessa pesquisa que a Virginia encontrou o Bem Gerar, e já na primeira palestra conheci o parto humanizado, me identifiquei muito, gostaria que fosse dessa forma, mas sempre deixei claro para ela que a decisão final era dela de como seria o parto. Nosso segundo obstetra foi o Danylo e decidimos por contratar uma equipe particular e solicitar reembolso ao convênio. Lá pela terceira palestra a Virginia já estava decidida em optar pelo humanizado, nós conversamos por dias após cada palestra, foi muito importante refletir em cada tema, novas dúvidas eram anotadas e posteriormente respondidas por alguém da equipe. No total participamos de 6 palestras no Bem Gerar, aprendi muito em todas elas, mas a da doula Michele e do Dr. Braulio foram as que mais me esclareceram as dúvidas. Agora vamos para o dia tão especial que começou domingo, 11/03 às 2:20 da madrugada, quando fui acordado pela minha esposa me pedindo uma toalha, ela estava com as pernas molhadas, ligo para o Dr. Danylo e digo que a bolsa havia rompido, ele pede para avisar o restante da equipe, descansar e irmos com calma para o Santa Lu às 6:30. Equipe avisada, hora de voltar ao sono. Toda preparação que fizemos me deixou calmo, feliz e confiante. Eu consegui pegar no sono novamente, porém minha esposa não. As 7:00 estávamos no Santa Lu e ela já estava ansiosa. Tentei sempre conforta-lá, estávamos bem informados, repassamos os momentos importantes para todos da equipe, ou seja, estamos bem amparados. Outro ponto que me deixou bastante seguro foi que ela já estava na fase de pródromo cerca de 2 semanas e com 3 cm de dilatação e estava muito tranquilo. Eu sempre dizia que o parto dela seria rápido. Saímos do Santa Lu por volta das 8:00, Danylo receitou o antibiótico, já que que estava com bolsa rota, strepto positivo. Fomos fazer algumas comprinhas para o almoço de domingo, o qual eu preparei para ela e fomos descansar juntos, novamente eu sentia nela ansiedade e não estava aproveitando o tempo para descansar. As 16:00 voltamos para o Santa Lu para tomar a segunda dose do antibiótico, foi ai que passar com o plantão foi a parte chata, o médico plantonista queria fazer toque e internar minha esposa. O problema não é o toque em si, mas o fato que ela sangra muito todas as vezes, e havíamos combinado de deixar somente quando realmente necessário, como já tinha sido feito um toque pela manhã, seria totalmente desnecessário fazer outro a tarde uma vez que ela estava na mesma. Minha esposa informou que nosso parto seria com a equipe do Dr. Danylo no Modelo, e que já estava combinado apenas de tomar a segunda dose, voltarmos para casa e esperarmos o parto evoluir. Ele ignorou e falou que a conduta dele seria essa, internação para bolsa rota, caso contrário ele não iria prescrever o antibiótico. Se ela não concordasse ela deveria escrever no formulário que ela estava negando a internação, nesse momento ele entregou a ficha dela e ela já viu que ele havia escrito "parto domiciliar". Minha esposa ligou para o Danylo, que estava com a esposa também em pródomos desde a manhã, ele teve que se deslocar até o hospital. Saímos 3 horas depois, lá pelas 19:00 com a segunda dose do antibiótico e 5cm se dilatação. Ele disse que já iria solicitar a um quarto no Modelo e iríamos internar às 23:00 e que a Natália iria fazer o parto. No caminho da volta para casa passamos no Walmart e ela ficou andando bastante, isso ajudou na evolução do parto onde entrou na fase latente. Chegando em casa ela tomou um banho quente, as contrações estavam de 5 em 5 minutos, com média de 1 minuto, a dor aqui é totalmente suportável pelo que pude notar. As 21:00 a Ana Garbulho, nossa enfermeira, chegou em casa, escutou o coração e fez o toque, estava com 6cm de dilatação. Chegamos as 23:40 no Modelo, e a meia noite minha esposa estava no quarto, foi o momento certo, pois o parto passou para fase ativa e com dilatação de 8 cm. Essa fase eu e a doula Michele fomos revezando nas massagens, o que ajudava a aliviar a dor que era mais aguda, mas ainda suportável. Por volta da 1:00 a dor aumenta e ela foi para o chuveiro, as contrações estão cada vez uma mais perto da outra e aumentando de dor, não dando tempo para ela descansar. Perto das 2:00 saiu um pouco de sangue, a Natália me falou que havia chegado aos 10cm de dilatação. Desse momento até as 2:30 foi a parte mais dolorosa de todo o parto, ela chorava de dor com contrações uma atrás da outra, sem tempo para descansar, foi quando ela pediu pela anestesia, e a conversa foi mais ou menos assim: Virginia: EU QUERO ANESTESIA, PODE CHAMAR O ANESTESISTA, EU NÃO AGUENTO MAIS DE DOR. CHAMA O ANESTESISTA! Natalia: Mas você está indo super bem, essa é a pior fase e já está acabando. Virginia: NÃO QUERO SABER, PODE CHAMAR O ANESTESISTA! Michele: Você vai perder a cereja do bolo. Natalia: Aguenta mais um pouco, vai passar essa dor. Virginia: NÃO VAI PASSAR NADA! SÓ VAI FICAR PIOR, VOCÊ TA MENTINDO, CHAMA O ANESTESISTA! Michele: eu sei que dói, já passei por isso. Virginia: MAS VC JÁ ESQUECEU!! Michele: A piscina já está cheia, vamos para lá, a água quente vai te ajudar. Virginia: TÁ BOM, MAS CHAMA O ANESTESISTA! (e ela foi para a piscina). Natalia: Se você quer anestesia, a gente vai ter que sair do quarto e ir para a sala de cirurgia. Só pode aplicar anestesia lá, não aplica aqui no quarto. E quando a gente for para lá não vai ter como vc anestesiada voltar para cá, você vai perder o parto que você tanto quis. Depois dessa ela deve ter ficado pensando, que ter o parto na sala de cirurgia ia ser muito mais desconfortável e ficou. Depois das 2:30 a fase do expulsivo começou, e realmente a Natália não estava mentido, as contrações são bem mais espaçadas, ainda assim é foda, mas sair daquela fase que ela estava chorando de dor para uma onde ela literalmente apagava durante o intervalo da contração me fez perceber que o trabalho de parto dela estava indo muito bem. Eu fiquei até as 3:00 fazendo massagem no ombro e a confortando, limpava o rosto todo suado e as 3:30 veio a última contração, nesse momento peguei o nosso filho e entreguei para ela em seu peito, essa imagem é algo que vou levar para o resto da minha vida! Foi um momento de alegria imensa e o amor de pai nasceu junto. Uns 15 minutos depois cortei o cordão e ficamos nós 3 juntos abraçados numa paz onde me fez refletir que o parto havia sido maravilhoso, foi respeitoso, e muito natural, não houve nenhuma pressão por parte da equipe, sem intervenção, sem laceração e minha esposa foi muito forte, uma força que naquela noite eu vi o que uma mulher é capaz de fazer, basta que ela se sinta segura e que tenha o apoio necessário das pessoas que ela confia. Nosso filho nasceu 12/03/2018 às 3:39 com 3,510kg e 49cm. A pediatra Andrea nos deu alta no mesmo dia, chegamos em casa às 22h e fomos todos ter uma boa noite de sono.



Complemento da mamãe: Estava quase terminando o meu relato quando vi que o dele estava praticamente igual ao meu, como sua participação foi de extrema importância nesse processo todo, resolvi compartilhar o dele, que foi feito com tanto carinho. Não tenho palavras pra descrever todo apoio, amor e dedicação durante toda a gestação e no momento do parto, sempre me incentivando. Implorei muito pela analgesia, mas graças a ele e a equipe conseguimos seguir em frente! Assim que pegou nosso filho e colocou em meus braços desabou num choro com sorrisos. Agradeço muito a equipe que nos acompanhou, sem eles nada disso teria acontecido!! Doula: Michelle Obstetriz: Ana Garbulho Obstetra que acompanhou o pré natal: Dr. Danylo Obstetra que assistiu o parto: Dra. Natalia Pediatra: Dra. Andrea Suporte emocional: Melhor marido Alberto

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© 2020 por Carla Arruda

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